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NOITE DE SEXTA 
ALTERNOU ANIMAÇÃO E APATIA


Foto: Canindé Soares

               O público melhorou assim como a animação. Dessa forma pode ser resumida a segunda noite do Carnatal 2000.  Não que a empolgação dos foliões tenha atingido o auge. Ao contrário, como vai virando tradição,  a sexta-feira alterna momentos de intensa alegria com alguns instantes  de indisfarçável indiferença e apatia. Os problemas da organização diminuíram  bastante bem como o atraso foi menor na entrada dos blocos. 

             No lado externo do Corredor da Folia, chamavam atenção as centenas de vendedores-ambulantes competindo com os barraqueiros na venda de cerveja e refrigerante. O "congestionamento" deles era tanto que vários vendiam 3 latas de cerveja por 2 reais. Alguns, para não perder a mercadoria chegaram a vender até 4 latas por 2 reais. No tocante a organização, ficou cada vez mais claro que não houve a prometida "moralização" no credenciamento. Muitas pessoas  brincavam nos blocos com coletes de imprensa, latinha de cerveja na mão, nitidamente sem estarem trabalhando e sem serem jornalistas. A assessoria de imprensa do evento tentou barrar jornalistas sérios e a realidade na avenida comprovava favorecimento. Era o caso de 3 alegres moçoilas que às  02:45 hs, já do sábado ,  pulavam no meio da segunda volta do Bicho Papão. Questionadas pelo repórter se eram jornalistas uma delas  disse sem rodeios "não, viemos brincar.Somos de João Pessoa" 

            No tocante a segurança houve alguns problemas com seguranças truculentos e com integrantes da PM. Se em alguns pontos fora do Corredor a calmaria era total como na esquina da Lima e Silva com Prudente onde até 01:45 hs a Polícia Militar não registrava incidentes. Em outros pontos a PM foi violenta. Caso do repórter-fotográfico Raul Pereira do Diário de Natal que, no exercício do trabalho, foi agredido por um PM, quando fotografava um PM que, fora de serviço, disparou sua arma.

          Confira a seguir os destaques e o desempenho de cada bloco pela ordem de entrada na avenida

        A BARCA: Pegou a avenida fria. A grande novidade do bloco foi trazer o grupo Harmonia do Samba, estreante no Carnatal, que empolgou os participantes que gostam de pagode.

       COCO- BAMBU : A primeira volta do Coco foi mais animada com a música comandada pela banda Jammil e Uma Noites. Na segunda passagem pelo Corredor o trio elétrico veio liderado pela Banda Di Maça que não manteve o pique e empolgação anteriores. 

       CAJU :  Puxada pelo Timbalada, os foliões se esbaldaram. O ritmo contagiante dos membros do Timbalada foi certeza de empolgação. O vocalista Dener conseguiu passar a mensagem, afinado com a batida forte dos tambores.

       BICHO PAPÃO:  Trouxe novamente Daniela Mercury. " O furacão baiano"  teve um desempenho politicamente correto, mas voltou a não empolgar a galera do bloco, nem as arquibancadas.  Revelou que o carnaval baiano de 2001 vai homenagear o grande Dorival Caymy; lembrou e conscientizou os participantes que ontem, 1 de dezembro, era  o Dia Mundial de Luta contra a a Aids,  mas deixou claro que Ricardo Chaves é muito mais a cara do Bicho.
               
         Muitos componentes não escondiam a insatisfação com Daniela:  "o Bicho é muito melhor com Ricardo Chaves, é o melhor puxador do mundo"  afirmava entusiasmado o folião Rodrigo no exato  momento em que Daniela anunciava ao microfone que estava se despedindo, que aquela foi sua última apresentação no Carnatal. Rodrigo emendou rápido "graças à Deus" .

        NANA BANANA: O Chiclete que sempre desperta grandes expectativas, depois de uma primeira volta que não tinha empolgado fez também uma segunda apresentação com os foliões meio desanimados."É que começa a faltar gás, é só isso", tentava minimizar  um dos participantes, de nome Paulo.  

           O vocalista  Bel Marques, nesta sua fase "evangélica"  voltou usar calças de jeans  --  para tristeza das fãs  --   e não levantou as arquibancadas tanto quanto já levantou. O Chiclete que estreou no Carnatal do ano passado  um trio com designer futurístico parecendo uma nave espacial, se apresentou este ano com o trio elétrico velho.

         GALO DO SOL :  Já na primeira passagem o Galo agitava o público da "pipoca" na área externa do Corredor com a simplicidade do frevo.  Antes,  no meio da avenida, uma foliã participante chamava atenção ao tirar o abadá e mostrar os belos seios para as câmeras de TV . 

             Revivendo as tradições das marchinhas e frevos, o Galo do Sol mostrou porque está crescendo na preferência dos natalenses. A antiga Banda Pingüim, trocou de nome para Banda Humm, mas continua liderada por Almir Rouche. Descompromissados com as arquibancadas e preocupados em se divertir os participantes afirmavam o Galo está melhor  a cada ano.  "Toca o que a gente gosta", justificava Rosana, fantasiada de índia para fugir dos nada criativos abadás.

             Fechando  segunda volta do Galo um casal de namorados chamava a atenção: os dois com bota de gesso no perna direita, até um pouco acima da panturrilha. Coincidência: Robson e Eliana acabavam de se conhecer. Ele, torceu o pé desfilando no Burro Elétrico, na quinta-feira. Ela, quebrou o pé na quarta-feira, véspera de Carnatal. "foi amor à primeira vista"

           JERIMUM:  Conhecido por trazer sempre grandes atrações  e também pelos preços elevados de seus abadás, o Jerimum foi puxado por Netinho que fez uma boa e animada primeira volta. Na segunda passagem pelo Corredor da Folia, já 04:10 hs do sábado, o bloco encontrou as arquibancadas e camarotes bastante esvaziados, mesmo assim Netinho conseguiu acordar o público.

             Com uma nova atração programada para a noite do sábado, a banda de pop-rock J. Quest, o bloco atraiu novos foliões, como Henrique  "só saí no bloco por causa do J. Quest amanhã", dizia ele taxativo. Já o casal Kleyber e Leane tinha opinião dividida quanto a se o Jerimum melhorou em relação a 99. Para ele, "está muito melhor que ano passado" , para ela, ao contrário,  "gostei mais do ano passado".

CLÁUDIO MONTEIRO
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