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Rio de Janeiro/RJ    -    quarta-feira, 04 de maio de 2011

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   89 ANOS DE BRIZOLA SÃO LEMBRADOS NO RIO
COM PALESTRA DE JOSÉ AUGUSTO RIBEIRO

                                                                        Osvaldo Maneschy
                                                  foto: AI/Fundação Leonel Brizola

           Na opinião do jornalista e escritor José Augusto Ribeiro a importância de Leonel Brizola para a vida brasileira e da América Latina vai muito além dos mandatos que exerceu como governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, porque antes mesmo da Revolução Cubana se consolidar, Brizola nacionalizou as empresas de energia elétrica (Bond and Share) e de telefonia (ITT) que atuavam no Rio Grande do Sul  visando o crescimento da economia e o desenvolvimento dos gaúchos.
 


“Antes de Fidel, de olho na necessidade de romper o atraso e a pobreza e com o total apoio do empresariado gaúcho, Brizola mostrou com a ajuda de Cibilis Viana que essas empresas roubavam o povo gaúcho, atravancavam o crescimento da economia  e se preocupavam única e exclusivamente com os seus próprios lucros”, afirmou José Augusto.

 
               O jornalista fez um relato da trajetória de vida de Brizola, desde os tempos de menino em Carazinho (RS) até chegar a Porto Alegre aos 14 anos para estudar, detalhando também o início da vida política de Brizola no Rio Grande do Sul, eleito deputado ainda muito jovem, passando pela prefeitura de Porto Alegre, onde ficou conhecido do povo como “o prefeito das escolas” por ter espalhado por toda Porto Alegre mais de 600 escolas de nível básico, número que elevou para mais de 6.400, “ele tinha muito orgulho de dizer o número exato delas”, durante o seu mandato de governador.

 
              José Augusto passou detalhadamente por várias passagens da vida política e a trajetória pública de Brizola ao longo de sua vida, lembrando, entre outros episódios, a famosa interpelação que fez, no juramento à Constituição do então deputado Carlos Lacerda – interrompido por ele com a denúncia que tudo o que estava dizendo naquele momento era falso, por ser velho pregador de golpes desde o suicídio e morte de Getúlio Vargas.
 

              Explicou que antes de interromper o juramento de Lacerda, conversou com Oswaldo Aranha, também deputado como ele, mas também um dos principais ex-colaboradores de Vargas, e consultou-o de que pretendia atrapalhar o juramento de Lacerda. E este, muito mais velho e experiente do que ele, Brizola, disse que não era o momento de fazer uma coisa assim, mas que como jovem parlamentar fizesse o que achasse melhor e o seu coração mandasse. Deu no que deu.

 
             No episódio das desapropriações das multinacionais, destacou que a decisão do governador Brizola foi confirmada por todas as instancias da justiça brasileira, na ocasião, e plenamente apoiada pelos empresários gaúchos que viam no péssimo serviço prestado pelas duas multinacionais americanas o maior entrave ao desenvolvimento do estado. Por isso também apoiaram amplamente a decisão, que serviu de modelo para que vários outros governadores, em seus estados, seguissem seu exemplo.

 
             A atitude de Brizola, também frisou, foi fundamental para aprovação do projeto de criação da Eletrobrás que rolava no Congresso desde que tinha sido apresentado pelo falecido presidente Getúlio, mas dormia nas gavetas. Criou-se uma discussão nacional sobre o assunto, a Eletrobrás vingou, começou a virada que permitiu, depois, o crescimento do próprio país que na época, na área de energia elétrica, só possuía a hidrelétrica do São Francisco, também criada por Getúlio Vargas.
 

           Todas as demais foram construídas, já no governo Juscelino, Jango, e nos governos militares – por conta do start no setor desencadeado pela atitude de Brizola. O jornalista também falou que a desapropriação da ITT – que levou a Casa Branca a rotular Brizola, na época, de “inimigo dos Estados Unidos” – foi fundamental também para a criação da Telebrás e da Embratel, posteriormente. A companhia que criou no RS, a BRT, no lugar da ITT, foi amplamente apoiada pelos empresários gaúchos e também serviu de modelo para todo o Brasil, com vários governadores tomando iniciativas semelhantes – tal o caos das telecomunicações na época.

 
           Lembrou que o próprio Lacerda, no Rio de Janeiro, criou a CETEL, companhia telefônica do antigo Estado da Guanabara, porque a multinacional CTB, não levava as linhas telefônicas do Rio de Janeiro a Zona Oeste e bairros periféricos da antiga Guanabara.

 
          José Augusto mostrou também o mundo que se vivia à época, dominado pela guerra fria, o  papel dos Estados Unidos na vida brasileira e as pressões dos EUA na vida brasileira.  Abordou também a importância de Brizola na volta do exílio e na reconstrução da vida política brasileira, sempre atento a tudo e a todos, usando a sua já vasta experiência política. E preocupado, o tempo todo, com a Educação dos brasileiros e com políticas públicas que valorizassem o Brasil e os brasileiros.
 

          Ao final,  os presentes encaminharam perguntas – todas respondidas – sobre várias questões específicas abordadas na palestra e vividas pelos presentes, junto ao próprio Brizola. Compareceram, entre outros militantes e ex-colaboradores de Brizola, Marilia Guilhermina; Ione Groff, Coronel Heleno, Mario Augusto Jackobiskind, Sergio Caldieri, os ex-deputados federais Vivaldo Barbosa e Caó de Oliveira, também ex-secretários de Brizola;  e dezenas de outros.

 
          A mesa, comandada pela presidente do Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do PDT, Maria José Latgé, responsável pela promoção do evento; teve também a participação do presidente DO PDT-RJ, José Bonifácio; do presidente da Fundação Leonel Brizola –Alberto Pasqualini; e dos vereadores Leonel Brizola Neto (Rio) e Jorge Mariola (SG). 

 
         Último a falar, encerrando a reunião, Leonel Brizola Neto fez questão de citar frase de seu avô, antes de congratular-se com Maria José Latgé, pelo evento: “Partido que não cultiva a sua história, as suas bandeiras, na opinião de meu avô, não é partido. É aglomerado de interesses”.